Resistir é preciso! 
Desistir jamais!

A batalha aconteceu e após ser derrotada, Krishna voltou a ser um inofensivo animalzinho de estimação.
Ela pode ainda contra-atacar, porém está muito fraca e o buraco que ela entrou está sendo tapado.

Krishna se foi, espero que não volte, mas mando lembranças. As feridas que ficaram foram menores do que pensei e na última batalha ela usou uma nova arma, a vergonha, combatida com a coragem estratégica e o medo como glória, ela se rendeu  entregou suas armas.

Acredito que não mais irá atormentar-me por um bom tempo ou talvez nunca mais. Krishna me deixou além da cicatriz um dos fascículos do manual de instruções da vida.
Nele está inscrito para jamais desistir do que se almeja se o coração sentir que vale a pena, mesmo que os obstáculos nos afetem sentimentalmente, mesmo que pareça impossível, mesmo que todos discordem, mesmo que a si mesmo discorde pela consciência.
Diz também que o coração é sábio, porém cego. Sabe sobre o caminho correto, mas não vê a entrada,  é ousado e destemido a ponto de seguir vários caminhos diferentes com o fim de encontrar o correto. Sabe que pode errar e por tudo a perder, mas sabe também que pode acertar e renascer.
O fascículo diz do conflito entre a consciência e o coração, que são raras as vezes que entram em um acordo, e quando entram geralmente ambos estão errados e deve se tomar cuidado se a decisão for a mesma para os dois. Cita que a consciência só existe para dar significado da existência do coração como razão da vida e o coração necessita estar ali para que se tenha consciência que está vivo. Ambos são importante, mas só deve se dar ouvido ao coração, por melhor que seja a proposta e os argumentos da consciência, o coração é o que faz acontecer e a consciência é um ser antagônico que evita a dor, porém também a felicidade, é um ser sem graça e padrão, já que todos tem um e racionalizam para que ajam de forma igual e sincronizada.

Agora que Krishna se foi e deixou de roubar meu sono e sugar minha alegria, posso novamente voltar a contagiar o mundo todo com minha loucura.

Krishna não teve nenhuma chance na luta, a mesma concordou em se retirar e admitiu sua derrota e admirou minha persistência. Disse que é um ser que se aproveita das falhas e alimenta-se da dor. Quando a dor se acaba ela se vai e procura um outro hospedeiro.
A vacina contra Krishna é o alimento do coração, o amor.

 

Álvaro Henrique
6 de abril, 2003

Não quero ser Jack!